Medicações e dispositivos
Como usar a bombinha com espaçador
Sem espaçador, a maior parte do remédio para na boca. Com técnica correta, chega ao pulmão — é a diferença entre tratar e parecer tratar.
Rascunho. Esta orientação aguarda revisão médica e está publicada com noindex.
src/assets/fotos/maos-espacador.jpgO que separar antes
- A bombinha (aerossol dosimetrado) prescrita
- O espaçador, com máscara para crianças pequenas ou com bocal para as maiores
- Um copo de água para enxaguar a boca ao final
Passo a passo
Prepare a bombinha
Retire a tampa, encaixe a bombinha na abertura do espaçador e agite bem por cerca de cinco segundos. Se for a primeira vez ou se estiver há dias sem uso, dispense dois jatos no ar antes de começar.
Posicione a criança
Sentada ou em pé, com a coluna ereta. Deitada não funciona bem. Com bebês, acolher no colo em posição sentada costuma dar mais certo do que segurar à força.
Encaixe a máscara ou o bocal
A máscara deve cobrir boca e nariz, bem rente ao rosto, sem frestas. Fresta é remédio que escapa. Com bocal, a criança fecha os lábios em volta dele, sem morder.
Aplique um jato de cada vez
Pressione a bombinha uma única vez. Nunca dispare dois jatos seguidos dentro do espaçador: o segundo não chega ao pulmão.
Deixe respirar
Mantenha a máscara no rosto por seis respirações tranquilas, ou cerca de dez segundos. Com crianças maiores que usam bocal, peça uma inspiração lenta e profunda e segurar o ar por dez segundos.
Espere antes do próximo jato
Se foram prescritos dois jatos, aguarde cerca de trinta segundos, agite novamente a bombinha e repita todo o processo.
Enxágue a boca
Após medicação com corticoide inalatório, faça bochecho com água e cuspa. Em bebês, ofereça água ou amamente. Isso previne candidíase e rouquidão.
Erros mais comuns
- Usar a bombinha direto na boca, sem espaçador — a maior parte do remédio fica na garganta
- Disparar dois ou mais jatos de uma vez dentro do espaçador
- Máscara frouxa ou mal encaixada, deixando frestas
- Não agitar a bombinha antes de cada jato
- Interromper porque a criança chorou — chorando, a inspiração é curta e o remédio não desce bem; acalme antes
- Lavar o espaçador com água corrente e secar com pano, o que gera eletricidade estática e retém o remédio na parede
- Não saber quantas doses ainda restam na bombinha
A técnica da bombinha é, na prática, parte do tratamento — não um detalhe operacional. Boa parte das asmas descritas como “resistentes” é, na verdade, medicação correta administrada de forma incorreta: o remédio sai da bombinha, para na boca e na garganta, e nunca chega onde precisava agir.
O espaçador resolve isso. Ele é uma câmara que recebe o jato, desacelera as partículas e permite que a criança respire o conteúdo no seu próprio ritmo, sem precisar coordenar o disparo com a inspiração — coordenação que criança pequena não tem e que mesmo adultos erram com frequência.
Como limpar o espaçador
Uma vez por semana, desmonte as partes, lave com água morna e algumas gotas de detergente neutro, enxágue e deixe secar ao ar, sem esfregar com pano. Esfregar cria carga estática na parede do espaçador, e a carga estática atrai o remédio — que gruda no plástico em vez de chegar ao pulmão.
Controle das doses
Algumas bombinhas têm contador. As que não têm exigem atenção: anote a data de início e calcule quantos dias duram, considerando as doses prescritas por dia. Bombinha vazia continua disparando o propelente, o que dá a falsa impressão de que ainda há medicação.
Leve o dispositivo às consultas. Rever a técnica periodicamente faz parte do acompanhamento, e é comum que pequenos desvios apareçam com o tempo.
Orientação com finalidade educativa, sob responsabilidade de Drª Camila P. F. Braga— CRM-BA 35.554. Atualizada em 04 de outubro de 2026. Não substitui a consulta médica nem a orientação individualizada que você recebeu.
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